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PROXIMIDADE: A MAIS ANCESTRAL DAS TECNOLOGIAS SOCIAIS

  • lars444
  • há 22 horas
  • 2 min de leitura

Proximidade não é apenas um lugar geográfico. Não é a curta distância entre dois corpos, nem algo garantido pelo simples fato de estarmos fisicamente mais perto uns dos outros. Ela também é um estado interior, um modo de abertura para o outro.


Vivemos hiperconectados e, ao mesmo tempo, profundamente distantes: das cidades, dos corpos, do tempo, da natureza, das pessoas, de nós mesmos.



Percebemos que, mesmo em contextos onde as relações antes pareciam naturalmente sustentadas, muitas pessoas já não conseguem expressar com liberdade aquilo que percebem, sentem ou acreditam. Como se as diferenças, em vez de ponte, tivessem se tornado risco.


Ao mesmo tempo, o enfraquecimento das relações de confiança social e a dificuldade de pertencimento também produzem isolamento e insegurança. E, quando já não conseguimos reconhecer com clareza aquilo que sentimos, tememos ou desejamos, passamos a viver em estado de alerta. Talvez por isso vejamos tanta reatividade, tantos diálogos interrompidos e tanta violência.


Existe também uma forma contemporânea de brutalização. Não necessariamente a violência explícita, mas o endurecimento da experiência humana. Um estado em que a defesa constante vai suspendendo nossa capacidade de nuance e singularidade. Como se o que existe de mais precioso e sofisticado no humano fosse lentamente colocado em estado bruto.


O HUMANO DE VOLTA AO CENTRO


Mas, na contramão do isolamento e desse estado de defesa, vemos reaparecer, como resposta social, o valor do trabalho manual, dos pequenos coletivos, das trocas locais e da volta ao campo. E percebemos que, diante de um mundo cada vez mais acelerado e abstrato, surge fortemente o desejo por experiências mais concretas, sensíveis e próximas.


Podemos explorar o conceito de proximidade de muitas maneiras.


Com a natureza, reaprendendo a perceber os ritmos do corpo, das estações, da terra e do silêncio. Com a cidade, quando pensamos em formas de habitar que favoreçam encontros reais e oportunidades de convivência. Com aquilo que consumimos, valorizando o local, os pequenos produtores e circuitos mais sustentáveis. Com o conhecimento, menos baseado em acúmulo e mais em experiência e troca.



Talvez proximidade também seja reaprender a olhar para aquilo que já está ao nosso alcance: os territórios, os recursos naturais e as formas locais de produzir energia e alimento.


Pensar proximidade hoje também é pensar uma tecnologia que não descarte o humano, que não transforme sua presença em algo periférico. Uma tecnologia capaz de ampliar possibilidades sem esvaziar aquilo que continua sendo insubstituível: a sensibilidade e a imaginação humanas.


Existe ainda uma dimensão da proximidade consigo mesmo, talvez uma das mais difíceis no mundo contemporâneo. Em meio a tantas distrações, estímulos e acelerações, permanecer próximo daquilo que verdadeiramente sentimos, pensamos e desejamos se tornou quase um exercício de resistência.


Por isso, a Casa Dinamarca escolheu se debruçar este ano sobre o tema PROXIMIDADE.


Não como uma resposta pronta, mas como uma pergunta aberta. Como um campo de investigação sobre as formas de viver, construir, criar e se relacionar com o mundo contemporâneo.


Texto: Elza Tamas
 
 
 

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